Gerações e Riqueza 2024 - Brasil: Finanças dos Baby boomers parecem mais sólidas que as dos demais
20 de junho de 2024, Alejandro R. Chavez

Gerações e Riqueza 2024 - Brasil: Finanças dos Baby boomers parecem mais sólidas que as dos demais

Os brasileiros nascidos entre 1946 e 1964, que compõem o grupo geracional conhecido como "Baby boomers", parecem ser o nicho mais seguro financeiramente da população do país. É o que mostram os números da YouGov Profiles de 9 de junho: 13,2% dessa população declaram ter uma renda alta (acima de 200% da média). Isso não é apenas maior do que a porcentagem registrada para todos os adultos pesquisados pela plataforma, de 8%. Também é estatisticamente maior do que os números obtidos para todas as outras gerações.

Essa força financeira pode não ser persistente, pois os Baby boomers também são a geração que mais sofreu financeiramente. Ainda nos dados da Profiles, 16,7% dos adultos com idade entre 60 e 78 anos afirmam que as finanças de suas famílias se deterioraram no último mês. O número é maior do que o registrado para a Geração Z (11,8%), Millennials (13,4%) e até mesmo para a Geração X (15%). Eles também são o grupo que mais frequentemente diz não ter visto mudanças econômicas na família.

De fato, eles também são o grupo geracional com a visão mais pessimista da economia. Apenas 56% dos Baby boomers acreditam que as finanças de suas famílias melhorarão nos próximos 12 meses. O número de todos os adultos brasileiros pesquisados pela Profiles é estatisticamente maior, 64%. Em contrapartida, 8,9% temem que a economia familiar piore ao longo do ano. Esse número também é estatisticamente diferente do registrado para a população nacional (6%).

Gerenciando as finanças no Brasil por geração

Há alguns comportamentos que podem explicar por que os Baby boomers têm finanças mais sólidas do que outros consumidores. De acordo com a Profiles, 61,6% dessa população dizem que procuram maneiras lucrativas de investir seu dinheiro, estatisticamente mais do que qualquer outro grupo pesquisado. Eles também são os menos propensos a fazer compras por impulso (apenas 18,2% dizem que tendem a fazer isso, em comparação com até 34,4% entre os brasileiros da Geração Z).

Além disso, em comparação com todas as outras gerações, esses consumidores são estatisticamente mais propensos a considerar notícias de economia e finanças antes de fazer grandes compras e a evitar empréstimos ou compras a crédito, a menos que seja necessário. Um ponto de risco, no entanto, pode ser seu relativo desinteresse por seguros: apenas 41,1% dessa população acredita que é importante ter uma cobertura completa, menos do que os Millennials e a Geração Z.

Há também claras divisões geracionais em aspectos mais modernos da gestão financeira, como serviços bancários on-line ou criptomoedas. De modo geral, os jovens são os mais confiantes em ativos como o Bitcoin (19,8% da Geração Z deixaria sua conta bancária apenas para usar moedas digitais, em comparação com apenas 7,9% dos Baby boomers). Mas esses adultos mais jovens também tendem a ser os mais relutantes em aceitar transações on-line: 26,3% dos jovens da Geração Z dizem que não se sentem à vontade com transações bancárias digitais, em comparação com 23,6% dos Baby boomers.

Onde os brasileiros abrirão sua próxima conta bancária?

Em praticamente todos os grupos geracionais, as fintechs estão atraindo mais atenção dos consumidores brasileiros. De acordo com a YouGov BrandIndex, entre 2023 e 2024, o Nubank melhorou sua classificação de Consideração em 6,9 pontos entre a Geração Z e em 3,2 pontos entre os Millennials. Em ambos os nichos, foi a marca que mais conseguiu aumentar sua pontuação no período. O Mercado Pago foi o agente financeiro de maior desempenho entre a Geração X, com aumento de 9,6 pontos.

Esse indicador reflete quantas pessoas no país estariam dispostas a incluir essas marcas em sua próxima decisão de compra. Portanto, esses aumentos na Consideração indicariam que as empresas de tecnologia estão oferecendo serviços e produtos que seus concorrentes tradicionais não oferecem e, portanto, estão atraindo a atenção da maioria da população. A única exceção a esse fenômeno seria justamente o nicho que parece ter as finanças mais sólidas no país: os Baby boomers.

Entre esses consumidores, o Itaú (+9,7 pontos) e a Caixa Econômica Federal (+8,3) foram os que mais melhoraram sua pontuação de Consideração entre 2023 e 2024, dentre as marcas analisadas. Isso reflete que os players tradicionais ainda têm apelo no país e, com os números financeiros revelados pela Profiles, uma grande oportunidade econômica para o curto prazo. Entretanto, no futuro, eles provavelmente precisarão prestar mais atenção para capturar o interesse das gerações mais jovens.

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Foto por FG Trade

Metodologia

YouGov Profiles é baseado em dados coletados continuamente e pesquisas contínuas, em vez de um único questionário limitado. Os dados de perfis para o Brasil são nacionalmente representativos e ponderados por idade, gênero e região. Saiba mais sobre Profiles.

YouGov BrandIndex coleta dados sobre milhares de marcas todos os dias. A pontuação do Consideração das instituições financeiras é baseada na pergunta: "Se você está pensando em usar uma dessas marcas, qual das seguintes marcas você consideraria?" e entregue como um percentual. As pontuações são baseadas em uma média de amostra diária de 1251 adultos no Brasil entre 7 de junho de 2022 e 6 de junho de 2024. Os números baseiam-se numa média móvel de um ano. Saiba mais sobre BrandIndex.